Desvelando mistérios, descobrindo opções.. Você pensa que está certo, eu penso diferente.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Porque Ele escolhe a fraqueza para confundir a força...


É possível que as pessoas ao meu redor tenham percebido que habitualmente prefiro divagar sobre idéias e reflexões. Contudo, paradoxalmente, dou o ponta-pé inicial do meu blog com uma narrativa. Simples, mas que falou profusamente ao meu coração.
Geralmente, após uma conversão genuína ao cristianismo, a alma remida se desperta para a leitura do até então temível e complexo livro preto, a nossa Bíblia. Como um bebê recém-nascido (espíritas, entendam-me se forem capazes) vivemos engajados a dominar o mais simples, a saber, o Novo Testamento. Nele, temos acesso aos lindos sermões de Jesus e as suas sucintas, mas vultosas de sentido parábolas. Conforme o tempo segue seu curso natural, concomitantemente, como "adolescentes na fé", buscamos aventuras novas, mais intensas. No meu caso, passei a devorar dezenas de livros (minha pastora que o diga), mas até esses não foram suficientes para saciar minha sede por algo maior. Passei então a pensar em enfrentar o Velho Testamento...
Intimidador, cheio de genealogias enfadonhas e desafiador a aquilo que chamamos de razão... não obstante, ele é proporcionalmente abundante de verdades divinas e segredos concernentes ao caráter de Deus.
Algumas verdades, porém, eram difíceis demais para eu compreender. Como eu poderia entregar totalmente a minha confiança em alguém que não posso ver? Passei a refletir acerca do povo de Israel, e como um exercício mental, tentei colocar-me no lugar deles. Isso feito, inferi que é tenebrosa a idéia de se enfrentar um exército muito maior do que o seu, sob o pretexto de que Deus havia os entregado em nossas mãos... tecendo um comentário um tanto pejorativo: é escabrosamente assustador.
(O que você faria se fosse um soldado Hebreu?)
O que será que passou pela cabeça de Davi, quando esse ousou enfrentar o gigante Golias? O que dotou ele de tamanha convicção? É possível que ele sabia algo inelucidável a mim...
De fato, analisando sob o prisma racional, esses acontecimentos são improváveis. Contudo, a "metodicidade" e o "mecanicismo" da razão não foram suficientemente viris para destruir a imensa convicção que havia em mim de que o meu Deus era capaz de todas aquelas maravilhas, ou muito mais. Diante disso, passei a anelar uma experiência análoga. Queria ver Deus agir sobrenaturalmente, inefávelmente... contudo, ao mesmo tempo temia ter minha fé testada, e conseqüentemente, desaprovada.
(Vocês sabem como os adolescentes são confusos e voláteis).
Deus, em sua conhecida perfeição, me explicou essa fé sobrenatural e conceitos riquíssimos de humildade, fazendo uma analogia da história do antigo exército de Israel com a minha vida.

Quando cheguei à Três Lagoas, em 2004, deparei-me ante um novo mundo. Paulistano, erroneamente pressupus lhe dar com pessoas desprovidas de cultura. Minha ignorância foi, de modo contundente, nociva.
Talvez essa me dotou de tal insensibilidade, que passei a rechaçar os sentimentos das pessoas, e desesperada e desastrosamente engajei-me em tentar mostrar que eu era o melhor. Tentei me aperfeiçoar em todas as áreas, tinha que ser o melhor no basquete, na sala de aula, com as garotas... tudo, para tão-só aferir a ilusória sensação de ser apreciado. As relações de causa e efeito não se deram da forma que eu imaginava. A apreciação calculada, na prática, se tornou em incondicional aversão. E esse sentimento inerente ao coração daquelas pessoas a quem eu buscava honra, redundou em grandes feridas.
(...)
De repente, eu percebi que não era tão bom no basquete (a experiência de jogar no time da cidade me fez enxergar que eu era até um tanto desengonçado). O professor de futsal, que inicialmente colocou-me no time titular da escola, após alguns meses surpreendeu-me ao me levar para um campeonato onde eu joguei apenas 7 segundos, e para piorar, presenteou-me com uma frase que ecoa em meus ouvidos todas as vezes que me arrisco a praticar o nobre esporte bretão: "Ê estranho, você é um sono mesmo, não tem jeito!"
Sim, Estranho, você não cometeu um equívoco de leitura. Esse era um dos meus muitos apelidos na escola onde estudava... todos eles, herança da prepotência inicial.
Não, eu também não era um sucesso com as garotas como equivocadamente presumi no início... gordinho, tímido, cdf e com algumas dezenas de espinhas emergindo em meu rosto, as repelia ao invés de atrair (salvo raras exceções, como por exemplo, nas provas). No entanto, a proeminencia intelectual não me dotava de muitos amigos. Os professores me elogiavam demasiadamente, e posso dizer que em alguns casos até valiam-se da lisonja... isso era terrível, pois meus colegas odiavam isso e sentiam-se, penso eu, até ofendidos. Todas as vezes que participava da aula interagindo com o professor, era censurado, escarnecido e podia ver até algumas cabeças meneando.
Todas essas duras pancadas, além de me estigmatizarem no colégio, destruíram meu caráter e auto-imagem.
De repente, as flores não estavam mais tão coloridas, o céu não era mais tão azul, e como salário, recebi um grande complexo de inferioridade. Tentei como subterfúgio, por um curto período, viver do passado, mas isso não deu muito certo...
Eu até sabia ocultar essas feridas, mas quando me reunia com a "galera do futebol" (acho que convém chamá-los dessa forma) esse problema se evidenciava...

Minha mãe com muito esforço ainda me mantinha na escola particular, mas isso já era algo ilusório para nós. De fato, na época o dinheiro era escasso, e essa condição só piorou minha situação. Todos os meninos tinham chuteira, e não eram simples. Estou falando de Nike, Adidas, Puma... eu, consoante a condição dita, era dono de um Penalty dotado de um pequeno orifício, sim, um singelo buraquinho.
Eu não sou néscio de modo a acreditar que o tênis faz a diferença quando a bola rola, nem mesmo que um pequeno furo possui a faculdade de mudar a trajetória de um objeto, contudo, em meu cérebro adolescente complexado era um peso difícil de se carregar...
Com meu par de tênis e com uma enorme dor jogava com os garotos, no entanto, envolto com uma gigante insegurança, errava lances antes irrisórios. Era cômico para todos, mas o sabor que eu sentia era de grande ignomínia...
Como uma história mais previsível que o final da novela das oito e tão certo como o ar que respiramos, um dia conheci Jesus... e isso fez toda a diferença...
Sem nenhuma pretenção, embora com algumas espinhas, minha aparência melhorou. O olhar fanfarrão foi permutado por olhos que exalam esperança. O menino gordinho emagreceu significativamente e desenvolveu músculos rijos. O Eric após o encontro ímpar com seu criador se tornou mais consistente. Após a regeneração, pude ver todo o medo, complexo e vergonha caírem por terra.
Com um novo nome, vestes e caráter a velha pretensão se perdeu.
Hoje é fascinante olhar ao meu redor e perceber pessoas que me respeitam, sendo que nem era aí onde eu queria chegar buscando efusivamente a Deus! Motivação antagônica a transcrita a.C (antes de Cristo), rsrs...

Duas dessas pessoas que me prestam grande respeito e amizade são adolescentes. Um tanto diferentes, é verdade, mas comuns quanto ao nome Lucas, e a condição na circunstância a qual Deus configurou a analogia já citada anteriormente.
E é a partir desses dois que a história começa a fazer sentido.
O primeiro Lucas é o conhecido Luquinhas. Os óculos e o aparelho evidenciam a adolescência. Em seus lábios, muitas idéias e reflexões sobre vídeo-games, pcs e futebol. Este é uma de suas grandes paixões (embora ele infelizmente seja são-paulino)... dentro da quadra ele é um pouco afobado. E isso não o faz um jogador ruim. Talvez o fato de ele jogar apenas com jovens mais velhos o deixe um pouco inseguro e isso desencadeia em alguns lances cômicos. O segundo Lucas é conhecido entre nós como “João do Pulo”. Sinceramente, desconheço os motivos da alcunha... mas diferentemente de nosso primeiro amigo, esse não parece tão interessado por games e afins. Seus interesses são filmes, carros, ação e almas!
Ás duas horas da tarde, quinta-feira, fui surpreendido em minha casa pela visita de dois amigos que há algum tempinho não me viam. Eles me convidaram para ir jogar bola, no entanto, entre os adversários havia alguns membros da antiga “galera do futebol”, que tanto me afligiu no passado.
Eu aceitei o convite, mas meus amigos que são bons jogadores não poderiam estar presentes em função do trabalho, da escola, ou porque não consegui encontra-los..
Para minha surpresa, apenas os dois Lucas poderiam ir ao jogo e isso não era muito agradável aos meus olhos. Eu queria um time forte, técnico, anelava vence-los depois de tanto tempo...

Entrei na quadra com uma vontade jamais vista. Meus adversários, continuavam com a habitual marra – e com as chuteiras supimpas!
Dessa vez, porém, havia respeito entre nós (e a minha chuteira não tinha nenhum buraco! rs). Contudo, o resultado não foi muito diferente do habitual: levamos inúmeros gols no início. Conforme o tempo passou, conseguimos equilibrar as coisas, no entanto, já estávamos demasiadamente cansados e desgastados, enquanto o time rival sobrepujava fôlego.
Não quero ser espiritualóide, mas durante todo o jogo o meu coração clamava a Deus pela vitória. Eu jamais havia me entregado tanto a uma partida.
Porém, parecia mesmo que Deus havia lavado suas mãos... o nosso goleiro teve que ser substituído pelo Lucas, nosso segundo amigão.

Para minha surpresa (e de todos), tive a visão de uma das melhores atuações de um goleiro em toda a minha vida (não estou exagerando). Mortos fisicamente, deixávamos espaço para o time adversário – tecnicamente superior – configurar tabelas envolventes e permitíamos chutes contundentes. Tudo isso, porém, sucumbia diante de nossa muralha: Lucas. Mais surpreendente ainda foi a atitude do Lucão. Ele, que geralmente é sucinto e introvertido, gritava com o time e ás vezes até arriscava lançamentos. Fiquei embasbacado... nada podia furar nossa muralha. Ele dava lindas pontes, antecipações sem iguais e quando não podia fazer nada a trave agia ao nosso favor.
O menino Lucas parecia viver uma noite de Davi...
Durante o jogo eu o olhava e percebi que nem ele mesmo acreditava no que estava fazendo...
Mas as defesas exuberantes não foram suficientes para nos ajudar quando íamos ao ataque. E para piorar, um de nossos melhores jogadores pediu para sair em função do desgaste. Em seu lugar, nosso segundo Lucas, aquele mesmo... do vídeo-game...
Fim da linha? Ledo engano.
Quando ele pisou na quadra, tive a sensação de que tudo ao meu redor ficara estático – inclusive o tempo – e em meu coração uma voz que dizia: “Veja o que Eu vou fazer!”
Depois de uma estranha dividida a bola sobrou livre para o Luquinhas. Ele mesmo, que é um pouco afobado...
Todavia, diante de um time muito mais forte e um goleiro gigante mostrou uma calma e classe jamais vista.
Sutilmente, com a sua canhota, acertou o canto esquerdo do goleirão.
Ele também não acreditava, afinal, era o gol da vitória... o gol mais importante!
E os protagonistas do jogo? Os nossos dois amigos. Os nossos dois Lucas. E de um modo interessante, impensável e inovador Deus me ajudou a vencer a partida que tanto queria... e ao mesmo tempo me fez compreender princípios riquíssimos de humildade, perseverança e confiança!
É possível que o antigo exército Hebreu sentia-se da mesma forma quando se via diante de um exército mais numeroso, com mais carros e guerreiros hábeis, mordazes e cruéis... porém, havia algo que fazia toda a diferença em prol do povo: o meu Deus!
Um Senhor criativo que independentemente das circunstâncias havia entregado o inimigo nas mãos do seu povo!

A adrenalina não foi a mesma (minha vida não estava em jogo), nem mesmo lhe dava com inimigos cruéis e sanguinários, contudo, o Senhor os entregou em nossas mãos... de um modo surpreendente...

Porque Ele “...escolheu as coisas loucas desse mundo para confundir as sábias, e as fracas para confundir as fortes” I Coríntios 1:27

Pense nisso...
E se você leu até aqui, te devo um doce.

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